Instituto Mexicano de Relaciones Grupales y Organizacionales
Mexican Institute of Group and Organizational Relations

Grupos de ajuda mutua

O apoio anônimo que faz a diferença: 

Solidários sim, solitários nunca. Anônimos por escolha, desprendidos por obrigação, ele foram uma cruzada silenciosa de apoio a todas as pessoas que padecem de comportamentos compulsivos. Como milhares de pontos de uma rede interligada no mundo, seus núcleos de atuação - presentes tanto no subsolo do edifício da maior cidade quanto no mais recôndito lugarejo rural - recebem e auxiliam os que sofrem de insegurança, auto-piedade e baixa auto-estima. Eles são os chamados grupos de ajuda mútua. Nem mesmo a opção pelo anonimato conseguiu impedi-los de estarem entre as irmandades mais famosas do planeta. 

Para conhecê-los, antes de mais nada, é necessário descartar imagens falsas construídas a seu respeito.  Ao contrário do que se imagina, os grupos de ajuda mútua nata têm de seitas, retiros ou clubes fechados. Muito menos de religiões que trocam cura fácil por dízimos suados. São Pequenos núcleos formados por pessoas que se recuperaram de estilos de vida destrutivos e hoje retribuem a retomada da felicidade comum a
pregação pela busca do equilíbrio. A eles recorrem indivíduos com as mais diferentes adicções.  As saletas alugadas ou cedidas aos grupos pela comunidade recebem todos os dias gente que depende compulsivamente de álcool, drogas, fumo, comida sexo e relacionamentos afetivos disfuncionais.  Dos dependentes, o grupo nada exige - não cobra pelos serviços, sobrevive da contribuição espontânea dos membros - a não ser um desejo legítimo e forte de alcançar a recuperação> para tanto, devem descobrir seus sentimentos, assumir fraquezas e limitações, nunca tentar modificar os outros, aceitar as pessoas como realmente são e, principalmente não acusá-las por todas as infelicidades de sua vida. 

Esses ensinamentos pareceriam retóricos se não viessem avalizados por uma filosofia de atuação tão simples quanto comprovadamente eficaz: na troca de experiências, o indivíduo se enxerga no grupo e, ao fazê-lo, toma consciência de que o seu problema não é o único, encontrando força extra para a própria recuperação. 

São Eles: 

Alcoólicos, os pioneiros - Primeiro grupo de ajuda mútua, A.A. nasceram nos EUA, em 1935, a partir de uma conversa entre Bob., médico de OHIO, e Bill, corretor de Nova York. Ambos eram dependentes de álcool. E passaram a se encontrar regularmente com o propósito de renovar a disposição de nunca mais beber.  Atraídos pelos bons resultados de recuperação, grupos pequenos começaram a se formar em torno do núcleo
inicial. 

Hoje, estima-se que existam 90 mil grupos e mais de dois milhões de adeptos distribuídos em 144 países. No brasil onde surgiram em 1947, há cinco mil grupos.  São Paulo e grande São Paulo abrigam respectivamente 400 e 500 unidades. 

Segundo OMS, o alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo, atrás apenas do câncer e dos distúrbios cardíacos. Responsável por 54% dos acidentes de trabalho, arranca dos cofres públicos despesas providenciarias três vezes superiores ao total de impostos arrecadados com a tributação dobre a bebidas. O brasil tem pelo menos 10 milhões de dependentes de álcool. 

Fonte de inspiração para os demais grupos de ajuda mútua - seus famosos 12 passos constituem uma espécie de bíblia os A.As. criaram a filosofia do anonimato com o intuito de "colocar em prática os princípios do grupo acima da própria personalidade", permitindo a convivência de pessoas muito diferentes entre si. As reuniões regulares compõem o principal serviço do grupo. Além delas, o A.A. dispõe de um sistema de
atendimento telefônico - com 2 mil ligações/mês - e uma comissão de voluntários encarregada de prestar informações, sempre gratuitas, às empresas. "A procura por esse serviço cresceu bastante. As empresas estão se conscientizando de que é mais vantajoso recuperar o empregado do que demiti-lo", afirma Nilo, membro da Central de Serviços de A.A. de São Paulo. 

A vez dos Familiares - Dirigido a amigos e familiares de dependentes químicos, o AL-ANON também foi criado nos EUA, em 1948. Entusiasmados pelo êxito das reuniões de A.A., alguns familiares de alcoólatra em recuperação, decidiram se unir no combate à co- dependência. Atualmente, há mais de 130 mil grupos no mundo. No .Brasil em 41 anos de existência, são 1200 pontos de encontro. 

Sem consciência de que também possui a doença, a maioria das famílias recorre ao AL-ANON em busca de remédio para curar o dependente. Eles chegam às reuniões derrotados, sem vontade de viver. Na irmandade, encontram a tranqüilidade de uma vida equilibrada, independente de o familiar continuar ou não bebendo", explica E.G.C., uma das coordenadoras do grupo. Segundo ela , o AL-ANON tem crescido em medida
diretamente proporcional ao aumento do consumo de álcool no país. Principal termômetro dessa expansão, o serviço telefônico da entidade, recebeu oito mil ligações em 1995, 37% a mais que no ano passado. Com os mesmo objetivos e metodologia, filhos e parentes de alcoólatras entre 12 e 20 anos, também se reuniram contra a co-dependência, formando o ALATEEN. Criado nos EUA, e, 1957, o grupo chegou ao Brasil quatro anos depois. Hoje conta com 100 núcleos. 

2500 grupos no país - A realidade do alcoólatra é diferente da do dependente de outras drogas. Foi pensando nisso que alguns toxicômanos, freqüentadores de A.As. sentiram necessidade de criar um grupo mais afeito à sua problemática. Desta forma há 20 anos, nasceram os NARCÓTICOS ANÔNIMOS. "o estilo de vida de um toxicômano é muito mais agitado. Para obter a droga, muitas vezes, ele rouba, recepta e
trafica", conta J.A.B, um dos fundadores do grupo. Nascido em época na qual era proibido fazer referência à droga, os Narcóticos tiveram de se chamar inicialmente "Propósitos Especiais". Em 1978, passaram a ser conhecidos como "Toxicômanos Anônimos" e, treze anos depois, adotaram o nome atual.

As reuniões de NA seguem os mesmos procedimentos de grupos similares existentes nos EUA, desde 1935.  "O objetivo da reunião não é apenas frear o uso da droga, mas reformular os valores da pessoa. O dependente precisa deixar de conviver com gente relacionada ao consumo é muito forte", Observa J.A.B.: "Atualmente, o grupo possui 2500 núcleos no país, um comitê de informações ao público e outro voltado para
hospitais e instituições que lidam com dependentes."

O inimigo é a droga não o dependente - O NAR-ANON busca, através da mudança de atitude de familiares e amigos de usuários de drogas, quebrar o processo de negação do dependente, levando-o a procurar ajuda especializada. A irmandade possui hoje cerca de 100 grupos, 35 deles localizados em São Paulo. 

Segundo a coordenação do NAR-ANON, seus membros participam de reuniões semanais para trocar experiências e, principalmente, tomar consciência de que o inimigo é a droga e não o dependente, como alguns chegam a acreditar. "A falta de informações sobre a doença prejudica as famílias. No desespero de procurar auxílio para o dependente, rejeitam a idéia de que também estão doentes", explica Solange (nome
fictício), uma das coordenadoras do grupo. 

Fome exagerada, euforia, descuido nos hábitos de higiene e desaparecimento de objetos em casa são alguns dos indicadores de que o indivíduo pode estar consumindo drogas. Solange lembra que os pais devem ficar atentos à rotina e às mudanças de comportamento dos filhos. "Todo mundo sempre acha que a droga é coisa de periferia e que nunca vai acontecer na sua vida. Terrível engano", reforça. 

Para atender melhor os seus membros, o NAR-ANON oferece salas de relacionamento opcional a cônjuges de dependentes de drogas. Dispões ainda do NARATEEN para familiares e amigos menores de 18 anos. O grupo conta também com serviço telefônico de orientação ao público que somente na primeira quinzena de outubro, recebeu 196 ligações. 

Dependência de relacionamentos afetivos - Cansadas do sofrimento provocado por relacionamentos afetivos, algumas mulheres passaram a se reunir, desde janeiro de 1994, para relatar suas experiências e tentar a solução para seus problemas. Assim nasceu o MADA - "MULHERES QUE AMAM DEMAIS ANÔNIMAS".  Nossas reuniões se destinam exclusivamente a mulheres que usam o parceiro como dependente químico
consome a sua droga. Obcecadas, não percebem seus próprios limites, perdem a identidade, sacrificam-se e se anulam para manter um relacionamento destrutivo", explica Paula (nome fictício), umas das fundadoras do grupo. 

A criação do MADA surgiu a partir do livro "Mulheres que amam demais", da terapeuta norte-americana Robin Norwood.  Segundo a autora, "quando amar significa sofrer é sinal de que estamos amando a pessoa errada de forma errada". Mulheres que amam demais - na opinião de Norwood - procuram parceiros emocionalmente fechados, viciados em trabalho, alguém incapaz de retribuir na mesma medida a dedicação
da companheira. Apesar disso, elas tentam manter o relacionamento à custa de muita dor e sofrimento pessoais. 

As reuniões são realizadas semanalmente com presença de 30 mulheres. Nelas, a recuperação se dá com base no que chamam de "terapia do espelho": as participantes ouvem depoimentos, trocam experiências e identificam seus problemas nos das colegas. De acordo com Paula, a procura tem aumentado nos último meses. "O objetivo principal do MADA é proporcionar a elas condições de recuperação da auto-estima e do
equilíbrio", acrescenta. 

Vítimas de abuso sexual - Tendência a suicídio, isolamento, dependência de álcool e drogas, promiscuidade, fobias, perfeccionismo extremo e exagerada falta de confiança nos outros. Segundo o grupo "SOBREVIVENTES DE INCESTO ANÔNIMOS" (SIA), estas são algumas das principais seqüelas deixadas em uma pessoa que sofreu abuso sexual na infância. Instituído no Brasil em 1992. o SIA teve a sua filosofia baseada em grupos que trabalham a mesma temática, há 14 anos nos EUA. De acordo com estimativas norte-americanas, três em cada cinco meninas e dois em cada sete meninos são vitimas de abuso sexual.  Muitos deles se tornem dependentes de amos e sexo. 80% acabam dependentes químicos. 

O primeiro grupo brasileiro estabeleceu-se no Rio de Janeiros. Hoje são, ao todo sete núcleos instalados em São Paulo, Araras(SP), Belo Horizonte(MG) e São Luís(MA). As reuniões dos SIAS, dividem-se, normalmente, em duas partes. Na primeira, o grupo lê uma série de folhetos sobre o tema. Na segunda, os membros são estimulados a entrar em contato com o que aconteceu no passado para, através da repetição
do "trauma", resgatar o que classificam como "infância perdida". "Desejamos provocar na pessoa uma confrontação com o ocorrido, fazendo com que ela perceba que foi o abusador que errou. Deste modo, trabalhamos as seqüelas responsáveis pelos comportamentos compulsivos", explica Vera(nome fictício), umas das suas fundadoras. 

Sexo como droga - Os primeiros grupos de "DEPENDENTES POR AMOR E SEXO ANÔNIMOS" (DASA) foram formados por pessoas que encontravam dificuldades em estabelecer limites nas suas atividades amorosas e sexuais. Isso aconteceu na década de 70, noa EUA. Aqui no Brasil o grupo existe há um ano e meio e já possui 13 unidades distribuídas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Brasília, Ceará, Goiânia e Acre. 

Assim como o alcoolismo, a dependência por amos e sexo é uma doença progressiva que atinge indistintamente homens e mulheres. A principal dificuldade das pessoas em geral, segundo a coordenação do DASA, esta relacionada ao diagnóstico dos sintomas da procura por amos e sexo como doença.  Preconceito, sensacionalismo, brincadeiras e tentativas de classificar determinados comportamentos como
fraquezas momentâneas, excessos esporádicos ou acidentais caracterizam as conversas sobre o assunto na sociedade. "Enquanto alguns casos são repudiados, taxados de perversão, outros são elogiados, tidos como hipersensualismo", enfatiza. 

Segundo estimativas de grupos norte-americanos similares, um em cada dez homens comete estupro e três mil adolescentes engravidam por ano, em decorrência da doença. Estudos mostram que mais de 40 milhões de pessoas sofreram abuso sexual na infância e, consequentemente, apresentam sinais de dependência. O DASA alerta para os sinais característicos da doença." Homens, por exemplo, que vivem preocupados em
relacionar-se sexualmente e grupo ou que buscam locais públicos atrás de sexo; e mulheres que se envolvem em relacionamentos de risco ou então se submetem a humilhações para não perder o companheiro apresentam dependência põe amor e sexo". 

Esse tipo de comportamento compulsivo, segundo a irmandade, traz sérias conseqüências às pessoas, como doença venéreas, perdas financeiras, familiares, profissionais e sociais. Em muitos casos, pode levar o dependente à cadeia, internações psiquiátricas e até mesmo ao suicídio. "a vida do dependente por amor e sexo é marcada por vergonha, culpa, desregramento, desprezo por si próprio, sentimento de solidão e isolamento", explica Andersom (nome fictício), um de seus membros. Através das reuniões do DASA, os dependentes conseguem atingir a sobriedade amorosa e sexual porque percebem que não são os únicos a portarem a doença e principalmente, que existe a recuperação. 

Sofrimento sem motivo aparente - Indicado para pessoas que sofrem de depressão, angustia, ansiedades e medo sem motivo aparente, os NEURÓTICOS ANÔNIMOS nasceram nos EUA, em 1964, a partir de experiência do psiquiatra GROVER, um dependente químico em recuperação. Após tentar o suicídio cinco vezes, ele resolveu partilhar seus problemas com dois pacientes também deprimidos.  Diante dos bons resultados, o psiquiatra alugou uma sala e anunciou o serviço na revista TIME. De lá para cá, a irmandade expandiu-se no mundo todo. No brasil, surgiu em 1969 e, atualmente, conta com 316 unidades.  Participam das reuniões, em média, 20 pessoas. 

Ö nosso propósito é buscar o equilíbrio emocional, provocando em cada membro o sentimento de que a solução para seus problemas está dentro dele", explica Marisa(nome fictício), uma das coordenadoras do grupo. Segundo ela, depressão, angústia, solidão e desmotivação estão entre os sinais mais comuns da doença. Marisa estima que 90% dos participantes da irmandade se recuperam totalmente. "os demais são
estimulados a procurar ajuda especializada, porque alguns problema têm origem orgânica que ultrapassa os limites do emocional", comenta. 

Comer para sublimar emoções - Comer compulsivamente para sublimar emoções, como angústia, medo e raiva, caracteriza uma doença progressiva que assim como alcoolismo, pode levar um indivíduo à morte. Para combatê-la, ensinando dependentes de comida a ter hábitos alimentares moderados, foi criado o "COMEDORES COMPULSIVOS ANÔNIMOS" (CCA). 

A idéia surgiu há 35 anos, em Los Angeles, nos EUA, quando a esposa de um alcoólatra em recuperação notou que a sua compulsão por comida era semelhante a de seu marido pelo álcool. Com base nessa observação, organizou um grupo com estrutura similar à do A.A. e convidou algumas pessoas para as reuniões. A iniciativa decolou logo. 

No Brasil, o CCA nasceu no Rio de Janeiro, em 1984. Um membro de Neuróticos Anônimos percebeu que comia compulsivamente quando era obrigado a ficar longe de sua família. Hoje, existem cerca de 35 grupos em todo o país. As reuniões do CCA são conduzidas da mesma forma que nos demais grupos de ajuda mútua, através de leituras específicas, troca de experiências, Doze Passos e Tradições adaptados do A.A.".
Nossa proposta de atuação consiste em reeducar os membros para aprender a comer moderadamente", explica Díneia, uma das coordenadoras do grupo. 

Engana-se quem pensa que somente os "gordinhos" freqüentam as reuniões. Segundo Dinéia, muitos participantes pesam apenas 32 quilos. "Inúmeros comedores compulsivos desenvolvem anorexia(param de comer), bulimia(provocam vômito) ou então produzem feridas no estômago devido a adoção de método agressivos para retirar alimentos do organismo", conta. 

(Reportagem de Renata Ribeiro - MIND Publicação especializada em Saúde Mental e Dependência Química da Comunidade Terapêutica Bezerra de Menezes- Ano 1 - no.3 DEZ/JAN.) 

ORAÇÃO DA SERENIDADE 

"DEUS CONCEDEI-ME, A SERENIDADE PARA ACEITAR AS COISAS QUE EU NÃO POSSO MODIFICAR; CORAGEM PARA MODIFICAR AS COISAS QUE POSSO; E SABEDORIA PARA SABER A DIFERENÇA. 

VIVENDO UM DIA DE CADA VEZ; DESFRUTANDO UM MOMENTO PÔR VEZ; ACEITANDO AS DIFICULDADES COMO O CAMINHO DA PAZ; 
TOMANDO, COMO ELE FEZ,ESTE MUNDO PECAMINOSO COMO ELE É, NÃO COMO EU GOSTARIA QUE FOSSE;CONFIANDO EM QUE ELE FARÁ 
TODAS AS COISAS CERTAS SE EU SUBMETER-ME À SUA VONTADE.  QUE EU POSSA SER RAZOAVELMENTE FELIZ NESTA VIDA; 
E INFINITAMENTE FELIZ COM ELEPARA SEMPRE NA PRÓXIMA.  AMÉM. 

--Reinhold Niebuhr

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS - é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolver seu problema comum e ajudar outros a se recuperam do alcoolismo. 

O único requisito para se tornar membro é o desejo de parar de beber. Para ser membro de A>A não há necessidade de pagar taxas ou mensalidades; somos auto-suficientes, graças às nossas próprias contribuições. 

O A.A. Não está ligado a nenhuma seita ou religião, nenhum partido político, nenhuma organização ou instituição; não deseja entrar em qualquer controvérsia; não apoia nem combate quaisquer causas. 

Nosso propósito primordial é mantermo-nos sóbrios e ajudar outros alcoólicos a alcançarem a sobriedade.  
      (Direitos autorais de The A.A. Grapevine, Inc; Publicado com permissão Vivência - Revista Brasileira de Alcoólicos Anônimos) 

O dozes Passos : - 

     Admitimos que éramos impotentes perante o álcool - que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas;
     Viemos a acreditar que um Poder Superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade;
     Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos;
     Fizemos minucioso e destemido inventário moral de nós mesmos;
     Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
     Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter;
     Humildemente, rogamos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições;
     Fizemos uma relação de todas as pessoas a quem tínhamos prejudicado e nos dispusemos a reparar os danos a elas causados;
     Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-las significasse prejudicá-las ou a outrem;
     Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente;
     Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato consciente com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade em relação a nós, e forças para realizar essa vontade.
     Tendo experimentado um despertar espiritual, graças a estes Passos, procuramos transmitir esta mensagem aos alcoólicos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades. 

Doze Tradições: - 

     Nosso bem-estar comum deve estar em primeiro lugar; a reabilitação individual depende da unidade de A.A.;
     Somente uma autoridade preside, em última análise, o nosso propósito comum - um Deus amantíssimo que Se manifesta em nossa consciência coletiva.
     Nossos líderes são apenas servidores de confiança: não tem poderes para governar;
     Para ser membro de A.A., o único requisito é o desejo de parar de beber;
     Cada Grupo deve ser autônomo, salvo em assuntos que digam respeito a outros Grupos ou a A.A. em seu conjunto;
     Cada Grupo é animado de um único propósito primordial - o de transmitir sua mensagem ao alcoólico que ainda sofre;
     Nenhum Grupo de A.A. deverá jamais sancionar, financiar ou emprestar o nome de A.A. a qualquer sociedade parecida ou empreendimento alheio à irmandade,
a fim de que problemas de dinheiro,

     propriedade e prestígio não nos afastem de nosso objetivo primordial;
     Todos os Grupos de A.A. deverão ser absolutamente auto-suficientes, rejeitando quaisquer doações de fora;
     Alcoólicos Anônimos deverá manter-se sempre não-profissional, embora nossos centros de serviços possam contratar funcionários especializados;
     A.A. jamais deverá organizar-se como tal; podemos, porém, criar juntas ou comitês de serviço diretamente responsável perante aqueles a quem prestam serviços;
     Alcoólicos Anônimos não opina sobre questões alheias à irmandade; portanto, o nome de A.A. jamais deverá aparecer em controvérsias públicas;
     Nossas relações com o público baseiam-se na atração em vez da promoção cabe-nos sempre preservar o anonimato pessoal na imprensa, no rádio e em filmes;
     O anonimato é o alicerce espiritual das nossas Tradições, lembrando-nos sempre da necessidade de colocar os princípios acima das personalidades. 

Modelo Minnesota 

Minnesota é um dos estados americanos menos conhecido no Brasil. Está localizado ao norte dos Estados Unidos, possui uma agricultura dinâmica, onde faz muito frio e é povoado por imigrantes do norte europeu, Inúmeros fatores geraram o modelo de tratamento que predomina nos Estados Unidos até hoje e que está rapidamente se espalhando por outros países. 

Quando foi fundado, em 1935, os Alcoólicos Anônimos (A.A.) sentiram necessidade de um local para internar os alcoólatras que estavam sofrendo e queriam parar de beber. 

O mais famoso foi o St. Thomas Hospital em Akron, Ohio, onde Dr. Bob Smith, co-fundador do A.A., junto com a lendária Irmã Ignatia, estabeleceram o primeiro centro baseado nos princípios do AA.  

É interessante ressaltar o fato de que o Dr. William H. Holloway, M.D., psiquiatra americano, residente em São Paulo e um dos membros da diretoria de Vila Serena, foi o único psiquiatra que Dr. Bob permitiu que trabalhasse em sua ala. 

Com a morte do Dr. Bob, surgiram divergências com s diretoria do hospital, o que levou Irmã Ignatia a montar ou outro centro para tratamento em Cleveland que também acabou com problemas. 

Nessa mesma época, membros do A.A. em Nova York, abriram um centro fora da cidade, que devido à fragilidade da estrutura do A.A., não se desenvolveu e acabou entrando em colapso como Bill Wilson, outro co-fundador do A.A., descreve na literatura. 

Nesse mesmo tempo na cidade de Minnesota, um bispo católico apresentava entre os componentes de seu clero, um elevado número de dependentes alcoólicos. Um grupo de leigos tentou fundar um centro para tratar esses dependentes, mas devido a desentendimentos internos, o centro para tratamento dos religiosos foi transferido para outro estado onde funciona até hoje. 

O grupo que apoiava essa iniciativa, liderado por membros do A.A., com destaque ca comunidade, localizou um sítio perto da Minneapolis, Minnesota, chamado Hazelden onde fundaram uma clínica, sob a orientação de membros do A.A., para desintoxicação de executivos. A clínica não prosperou e foi motivo de muitas rixas entre os membros do A.A. envolvidos. 

Enquanto isso, no manicômio estadual de Minnesota chamado Wilmar State Hospital, um psiquiatra e um psicólogo, Dr. Daniel Anderson, tentavam desenvolver um trabalho junto aos alcoólatras que ocupavam uma grande parte dos 1.600 leitos desse hospital. 

Dr. Dan Anderson, que já visitou Vila Serena, é um grande amigo e continua nos prestando assessoria, percebeu que o mesmo grupo de A.A. fundou Hazelden, através das reuniões realizadas no hospital, conseguia resultados positivos. Ele começou a desenvolver um trabalho junto com esse grupo, gerando assim a primeira experiência para tratamento de alcoolismo multidisciplinar que envolvia membros do A.A. tendo por
base os princípios de AA. 

Logo tornou-se claro que o manicômio não era um local apropriado e uma das medidas que o grupo multidisciplinar adotou foi a de permitir que os alcoólatras entrassem e saíssem do hospital livremente, gerando assim conflitos. 

A Hazelden contratou o psicólogo, Dr. Dan Anderson, para dar continuidade ao seu trabalho na Hazelden.  Assim nasceu o Modelo Minnesota, precursor de todos os modelos para tratamento de dependência química, que tem sua base estruturada nos 12 passos de A.A. e faz uso de uma abordagem multidisciplinar. 

O Modelo Minnesota apresenta acepções próprias: 

     Dependência química é uma doença e não um sintoma de outra patologia.
     É uma droga multifacetada e multidimensional.
     O motivo inicial que leva ao alcoolismo não está relacionado com o resultado.
     Focaliza a causa que desencadeia o processo e não a pré-disposição para a dependência 

O Modelo Minnesota rege-se pelos seguintes princípios: 

     A meta e tratar (care) não curar.
     O paciente é motivado a aprender a viver com seu alcoolismo, que é uma condição crônica.  Não em procurar as causas e esperar por uma cura.
     Baseia seu programa de tratamento nos 12 passos do A.A., especialmente nos primeiros cinco.
     Criar um ambiente onde a comunidade terapêutica seja totalmente aberta e honesta, o que propicia uma troca de experiências em todos os níveis.
     Ter uma equipe multidisciplinar que inclua um profissional denominado "conselheiro em alcoolismo", que pode ser um alcoólatra em recuperação.
     Apresenta um programa essencialmente didático que é aplicável a qualquer pessoa, mas se utiliza de um plano de tratamento que é específico para cada paciente. 

Peculiaridades do Modelo Minnesota: Dá bons resultados, mas; 

É difícil descrever seu funcionamento, pois depende muito das características pessoais dos que compõem o ambiente terapêutico. É de difícil avaliação objetiva devido as particularidades de cada caso. 
Ainda hoje, desperta polêmica, havendo aqueles que o apoiam fanaticamente e aqueles que o criticam
rigidamente. 

     Devido a complexidade metodológica é difícil sua avaliação mediante estudo dos processos dessa natureza.
     Apresenta uma mistura de princípios científicos com sabedoria, o que dificulta a avaliação e descrição do processo.
     Os papéis terapêuticos nem sempre são desempenhados por profissionais de formação regular. Isto cria muitas críticas dos profissionais organizados, especialmente entre a classe dos psiquiatras e
     psicólogos, além dos problemas referentes a certificados e credenciamentos.
     Existe tanta diversidade dentro do Modelo Minnesota que às vezes torna-se difícil determinar nitidamente o que é, e não é, Modelo Minnesota. Pois sendo do domínio público, não existe nenhuma organização que faça esse controle e a Hazelden não exerce esse papel.
     Devido a mistura de filosofias e profissionais, a administração de um programa dentro do Modelo Minnesota torna-se bastante trabalhosa.
     O Modelo Minnesota não é a resposta definitiva para o tratamento de dependência química. É um método onde não é possível prognosticar com segurança para quem ele vai funcionar e qual resultado vai apresentar, sem antes experimentar. 

(John E. Burns - Vila Serena) 

Programa de Recuperação Progressiva - (desenvolvido pela Conviver -Atend. especializado no ambulatório que mantém para dependentes químicos) 

Recuperação: 

Abstinência - é o bilhete de entrada para permanecer com saúde em todas as áreas da vida; 

Sobriedade - Abstinência e mais o retorno a uma saúde total; física, psicológica, social e espiritual. 

Modelo de recuperação progressiva - 

     A recuperação é um processo a longo prazo que não á fácil;
     A recuperação exige abstinência total de álcool e de outras drogas. Mais esforços ativos para o crescimento pessoal.
     Existem princípios básicos que governam a recuperação;
     Quanto melhor entendermos estes princípios, mais fácil será a nossa recuperação;
     Entender apenas, não promoverá a recuperação. Este novo entendimento precisa ser posto em ação;
     Estas ações são as tarefas da recuperação;
     Pontos de bloqueio são normais e naturais no caminho da recuperação. O importante é como se lida com isto. 

Estágio da recuperação - 

     Transição - Reconhecemos que temos um problema com as drogas. Tentamos controlar o uso. Estamos doentes e cansados de estar doentes.
     Estabilização - Sabemos que temos o problema de dependência química e que precisamos parar totalmente de beber ou de usar, mas, não sabemos como.
     Início da recuperação - como ficar abstêmio confortavelmente. Saber mais sobre o nosso problema de adicção.  Aprender a vencer os sentimentos de vergonha e de culpa. Aprender a lidar com os problemas sem utilizar drogas.
     Meio da recuperação - reparar os danos passados e equilibrar nossas vidas.  "Praticar estes princípios em todas as nossas atividades".
     Final da recuperação - vencer os obstáculos para uma vida saudável, que tivemos quando crianças, antes de nossa adicção ter se desenvolvido. Muitos dependentes vêm de famílias disfuncionais. Alguns problemas que podemos ter: Lidar com os sentimentos. Cuidar mais dos outros do que de nós. Fazer a vontade dos outros. ser o centro das atenções. Acalmar as coisas a qualquer custo. Aceitas a culpa pelos erros dos outros. Causar problemas. Culpar os outros. Reconhecer que temos problemas como adultos causados pôr crescermos em famílias disfuncionais. Aprendermos a nos recuperar da dor nao resolvida.  Aprendermos a resolver os problemas apesar destes obstáculos.
     Manutenção - Precisamos continuar a crescer e nos desenvolver como pessoas. Precisamos praticar um programa de recuperação diário para impedir a volta do pensamento adictivo. Viver de uma maneira que nos permita ser felizes na estrada da vida.
 


EXIT  / SALIDA

ii 2016
x 2013

vi 1999