Instituto Mexicano de Relaciones Grupales y Organizacionales
Mexican Institute of Group and Organizational Relations

SUPOSIÇÕES BÁSICAS

Marc G. Schramm

(Traduzido por Mauro Nogueira de Oliveira)
 

Já foi dito que o camelo é um cavalo projetado por um comitê. Enquanto que os grupos podem ser frequentemente bastante produtivos, realmente é verdade que podem impedir que as tarefas sejam realizadas. Eu tenho a esperança que todos experimentem a frustração em um grupo. O que é que tão frequentemente leva os grupos ao fracasso?

Esta pergunta foi feita por Bion (1906-1976), um dos teóricos mais importantes da dinâmica de grupo. Baseado no seu trabalho clínico ele sugeriu que os grupos têm dificuldades para realizarem seu propósito público devido a três (não sem conexão) fontes de conflito: 1) ambivalência dos membros do grupo entre desejo individual de autonomia e dependência; 2) diferenças entre as necessidade do grupo para o objetivo e as necessidade individual de seus membros.

A terceira fonte de conflito merece uma descrição mais detalhada:

3)  Grupos que mantêm uma orientação para a tarefa e procura a tarefa racionalmente, Bion se refere como "grupos de trabalho".  Caminhos emocionais poderosos frequentemente interferem com o funcionamento de tais grupos de trabalho. Esta caótica e desintegradora força pode, Bion observou, ser entendida como uma suposição inconsciente compartilhada pelos membros do grupo. Tal caso é conhecido como o Grupo de Suposição Básica. As atividades de suposição básica acontecem espontânea e instintivamente, mas Bion observou que somente uma suposição básica pode estar funcionando em qualquer determinado momento.

Bion percebeu três grupos de suposição básica: o grupo de dependência, o grupo de luta-fuga e o grupo de pareamento/união.  Os grupos de dependência operam na suposição de que há um líder (não necessariamente o terapeuta) que pode satisfazer magicamente a necessidade do grupo por segurança e nutrimento. Outra suposição básica é que o grupo tem que se proteger.  Ou faz isso lutando ou corre para longe se alguma coisa ameaçar. Naturalmente Bion chamou este de o grupo de luta-fuga. Ao trabalhar a tarefa do grupo existe ameaça e não é incomum que o líder nominal seja evitado ou confrontado. Ambas suposições básicas são mais complexas nas suas dinâmicas do que esta breve descrição possa fazer justiça. Mas, mais complexo que qualquer uma delas pode se o grupo de suposição básica de pareamento. Em tal grupo uma união compartilhada pelo grupo todo. Uma conotação sexual não é incomum. Uma característica do grupo de pareamento é a
suposição que da união ou das uniões emergirá algo ou alguém com um potencial messiânico remissório.

Bion também observou que cada grupo de suposição básica tem seu dual, onde há uma reversão de papeis na forma como a suposição básica termina. Assim, o grupo como um todo poderia tratar um membro em particular, até mesmo o líder, como dependente. Uma vez eu fazia parte de um grupo onde o líder era experiente e incompetente. Ele não era, certamente, completamente assim, sendo inteligente o bastante para não descansar para que os membros do grupo não tivessem uma oportunidade fácil para desaparecer. Dois ou três membros saíram fora de qualquer maneira. Os membros restantes se determinaram a trabalhar e basicamente sequestraram a liderança do líder nominal que ficou dependente no grupo (não sem algum esforço para retomar o controle). Devo acrescentar que no final todos ficaram satisfeitos com a experiência, inclusive o líder nominal.

Malcolm Pines (1992) nota que mesmo que a abordagem de suposições básicas de Bion não seja seguida por muitos grupoterapeutas, suas idéias continuam mostrando grande influência na comunidade clínica.

"Bion dá aos terapeutas a sensação de segurança para reconhecer que os fenômenos de grupo seguem padrões definidos; se o terapeuta puder reconhecer estes fenômenos poderá convidar os membros do grupo a trabalhar suas ansiedades e resistências fazendo com que o grupo avance."

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