Instituto Mexicano de Relaciones Grupales y Organizacionales
Mexican Institute of Group and Organizational Relations

A QUINTA SUPOSIÇÃO BÁSICA


W. Gordon Lawrence, Alastair Bain & Lawrence Gould

(Traduzido por Mauro Nogueira de Oliveira)
 

Experiências com Grupos (1961), de Wilfred Bion, foi um texto notável; um marco no pensamento e conceituação do funcionamento inconsciente de seres humanos em grupos. As hipóteses de funcionamento que ele formulou na atividade mental dos membros de grupos têm robustamente passado pelo teste do tempo. Em parte, isto aconteceu por causa das Conferências de Relações de Grupo que começaram a partir das suas idéias e da elaboração que foi feita com o passar do tempo. Mas até mesmo se não tivesse havido nenhuma conferência, seus escritos, conferências e memórias assegurariam um lugar na história do desenvolvimento do pensamento psicanalítico sobre grupos sociais, instituições e sociedade. 

A mais recente história do desenvolvimento da educação de relações de grupo na tradição de Bion-Tavistock foi apresentada por E. J. Miller (Miller, 1990). Há um pequeno ponto esclarecendo que as conferências foram desenvolvidas, no princípio, pela Universidade de Leicester e pelo Instituto Tavistock de Relações Humanas, em 1957. As conferências subseqüentes devem a sua paternidade a A. K. Rice. Sua claridade de conceituação deu às conferências a sua marca que dura até hoje (Rice, 1965). Na análise final, porém, qualquer educação de relações de
grupo está baseada no pensamento de Bion que provê a perspectiva de heurística para aberta no funcionamento inconsciente dos grupos. 

Escrevemos a partir de nossas experiências em papéis de consultores e diretores de tais conferências, além de nossas práticas como cientistas sociais, consultores organizacionais, psicanalista e professores universitários.  Estivemos associados com a educação de relações de grupo a maior parte de nossas vidas e cada um tentou contribuir pensando em grupos através da participação e dos escritos. Em recentes anos, nossos papéis em conferências foram esses de diretores e consultores. Embora desfrutemos completamente do desafio de dirigir, nos sentimos bastante contentes nos papéis de consultores de pequenos grupos, grupos grandes, etc., porque há tanto que é desconhecido sobre comportamento de grupo. Também nos permite manter contato tão diretamente quanto possível com o que está acontecendo em grupos de pessoas que pertencem às mais recentes gerações.  Para nós há uma relação de simbiose entre nossas práticas e educação de relações de grupo. O fenômeno social de natureza inconsciente, que achamos em um contexto, testamos no outro e vice-versa. 

Baseados nestas experiências podemos, agora, propor um quinto Grupo de Suposição Básica além do Grupo de Trabalho (W) e três suposições básicas de grupo, descritas por Bion (bam) e uma que Pierre Turquet descobriu.  Este quinto grupo de suposição básica nomeamos de Suposição Básica de Individualidade. 

O propósito deste "paper" é explicar as suposições básicas em grupos, instituições e sociedades que seguem a tradição de Bion. Estamos atentos que dentro do campo da psicanálise há um interesse germinando no tratamento de desordens do narcisismo. Porém, não queremos explicar as suposições em termos do narcisismo individual, como pode ser achado em analisandos e pacientes, porque estamos enfocando tais suposições como um fenômeno cultural. Mais pertinente para nós é o tipo de crítica social da sociedade pós-industrial feita por Christopher Lasch na Cultura do Narcisismo (1978), por Robert N. Bellah e seus colegas nos Hábitos do Neart (1985) e por John Carey em Os Intelectuais e as Massas (1992). 

O GRUPO DE TRABALHO E O GRUPO DE SUPOSIÇÕES BÁSICAS DE BION

Há muitos capítulos sobre a formulação de Bion dos grupos mas nenhum pode reproduzir a riqueza do original.  Como suas conferências no Brasil e em Nova Yorque, por exemplo, Experiências com Grupos requer repetida atenção. Não obstante, para a finalidade desta exposição, há uma necessidade ainda de dar conta das suas hipóteses de funcionamento. 

A hipótese principal de Bion era que quando qualquer grupo de pessoas se encontra para fazer algo, i.e., uma tarefa, há em realidade dois grupos, ou duas configurações de atividade mental presentes, no mesmo momento. Há o grupo de trabalho sofisticado (chamado de grupo W) mas este grupo é "constantemente perturbado por influências que vêm de outro fenômeno mental do grupo" (Bion, 1961, pág. 129) que são o que Bion chamou de grupos de suposição básica (chamado grupos bam). 

O que é a experiência de estar em um Grupo W? É estar em um grupo no qual todos os participantes estão comprometidos com a tarefa primária, porque eles tomaram pleno conhecimento do seu propósito. Eles cooperam porque é sua vontade. Eles procuram conhecimento usando suas experiências. Eles sondam realidades de um modo científico, testando hipóteses e estão atentos aos processos que avançarão para aprendizagem e desenvolvimento. Essencialmente, o grupo W mobiliza atividade mental sofisticada por parte de seus membros, que
eles demonstram pela sua maturidade. Eles administram o limite psíquico entre os seus mundos internos e externos.  Eles se esforçam para administrar seus papéis como membros do grupo W. Além disso, os participantes podem conter na mente uma idéia da inteireza e interconexão com outros sistemas. Os participantes usam suas habilidades para entender o mundo interno do grupo, como um sistema, em relação à realidade externa do ambiente. Em um grupo W os participantes podem compreender o contexto psíquico, político e espiritual no qual eles estão participando e estão co-criando. O grupo W pode ser visto como um sistema aberto. O principal produto são pessoas que podem
transformar experiências em insight e entendimento. 

Grupos que agem constantemente desta maneira racional são raros, porém, e talvez, somente seja um construct idealizado. Na realidade, o comportamento das pessoas no grupo está freqüentemente em outra dimensão. Este é o comportamento bam. O gênio de Bion foi reconhecer que as pessoas em grupos se comportam às vezes coletivamente de uma forma psicótica ou, então, a mentalidade do grupo dirige o processo até certo ponto para uma psicose temporária. Isabel Menzies Lyth torna mais claro: "A sutileza da intuição de Bion foi definir o menos óbvio
mas imensamente poderoso fenômeno psicótico que aparece em grupos que estão se comportando aparentemente saudáveis, mesmo que um pouco estranhos, grupos que estão trabalhando mais efetivamente e quais membros são clinicamente normais ou neuróticos". (Menzies-Lyth, 1981, pág. 663) 

O termo 'psicótico' está sendo usado neste contexto significando uma 'diminuição de contato efetivo com a realidade', obtendo emprestada a frase de Menzies Lyth. Esta é uma mentalidade de grupo que tem uma cultura em que o indivíduo, apesar de suas habilidades sofisticadas e maduras, pode ser causa para uma regressão e identificação projetiva, despersonalização e regressão infantil. 

Bion descreveu três grupos bam. Os membros do grupo se comportam 'como se' eles estivessem compartilhando a mesma suposição tácita, inconsciente. A vida em um grupo bam é orientada para a fantasia interna, não para a realidade externa.  Identificar um bam é dar significado ao comportamento do grupo e elucidar em que base isto não está operando como um grupo W.  O três grupos bam de Bion são: dependência (baD), luta/fuga (baF/F) e pareamento (baP). 

Na vida de um grupo os participantes oscilarão entre a cultura do grupo de W e entre esses grupos bam.  Cada indivíduo tem uma 'valência' para um bam particular; 'uma capacidade para combinação involuntária instantânea de um indivíduo com outros para compartilhar e agir em uma pressuposição básica' (Bion, 1961, pág. 153), seja isto dependência, luta/fuga ou pareamento. 

O que é a experiência emocional em uma cultura de dependência? A meta dos membros do grupo, e a suposição na qual eles trabalham, é que eles se encontram para ter um sentimento de segurança e proteção de um dos membros.  Este líder é investido com qualidades de onipotência e omnisciência. Ele ou ela é idealizado e é transformado em um tipo de deus. O sentimento é que só o líder sabe qualquer coisa e só o líder pode resolver os problemas da realidade do grupo. Tal líder é uma pessoa mágica que não precisa de informação e é divina por isto. Em um tal um grupo a mentalidade e cultura é tal que os membros individuais se tornam cada vez mais apáticos assim como a informação sobre a realidade fica menos disponível. Há um ar de perda de tempo sobre o grupo que resulta no sentimento de que nunca terminará. 

Um fenômeno associado com este tipo de cultura de grupo é aquele em que a pessoa se transforma num estúpido, no 'idiota' que tem que ser ensinado pelos outros, o coletivo 'mamãe'. Um processo semelhante é escolher um membro como sendo o objeto de cuidado por parte dos outros membros. Uma variação é criar um 'casualty' i.e., alguém que é tornado inadequado ao ponto do desarranjo temporário. 

A experiência de ser em uma suposição básica de pareamento (baP) é estar em um grupo que se entusiasmou pela idéia de apoiar dois membros que produzirão uma nova figura de líder que assumirá plena responsabilidade pela segurança do grupo. O desejo, em fantasia inconsciente, é que o par produzirá um Messias, um Salvador, ou na forma de uma pessoa ou na de uma idéia a que eles possam aderir. O gênero das duas pessoas que constituem o par é imaterial. O ethos do grupo é de esperança e expectativa. Porém, o ponto crucial não é um evento futuro mas o sentimento de esperança no presente imediato. O grupo vive na esperança da criação de uma nova Utopia; um utópico pensa que isso resolverá todos seus problemas existenciais. Não haverá sentimento de destruição, desespero ou ódio. Mas nada deve ser criado em realidade; caso contrário a esperança desaparecerá. 

O terceiro grupo de suposição básica de Bion é o de luta/fuga (baF/F) o qual ele vê como os dois lados da mesma moeda.  O que é a experiência de ser em uma tal cultura? A suposição inconsciente do grupo é que eles estão reunidos para a ação que é a de se preservar lutando contra alguém ou algo ou fugindo destes. O indivíduo é menos importante que a preservação do grupo. Compreensivelmente esta cultura de baM é profundamente anti-intelectual e depreciará como introspectivo qualquer comportamento que tentar alcançar autoconhecimento através do auto-estudo. 

O líder em tal cultura é de importância central porque ele ou ela são a favor de um líder de ação: ou em briga através de ataque ou em fuga. A característica ideal é que o líder seja paranóico, sem qualquer sugestão de qualidades deprimentes, e possa nomear fontes de perseguição, até mesmo se elas não existirem em realidade. É esperado que o líder identifique perigo e os inimigos e sinta ódio por eles. O grupo dá para o líder a habilidade para transformar isto em briga ou fuga e vice-versa. O líder tem o poder porque ele ou ela podem atuar no pânico que é sentido pelos membros do grupo. 

O GRUPO DE SUPOSIÇÃO BÁSICA DE UNIDADE DE TURQUET

A estes grupos de Bion, Turquet somou um quarto que foi o de suposição básica de Unidade (baU).  Que é uma atividade mental na qual "os membros buscam se unir em uma união poderosa com uma força onipotente, submetendo-se a uma participação passiva e assim sentir existência, bem-estar, e inteireza" (Turquet, 1974, pág. 357).  No mesmo artigo ele acrescenta: 'o membro do grupo sentir-se-á perdido em sentimentos oceânicos de unidade ou, se a unidade é personificada, sentir-se-á como uma parte de um salvacionismo (Ibid., pág. 360). 

Este desejo para 'serem vistos inclusos na salvação' pode ser visto institucionalmente quando, por exemplo, as pessoas religiosas se entregam a movimentos carismáticos. Eles desejam ser um com Deus; não ter nenhum limite entre o humano e o que pode ser divino. Como o oposto de Unidade nós estamos propondo outro grupo de suposição básica que enfatiza a separação, que odeia a idéia do 'nós'. 

SUPOSIÇÃO BÁSICA DE INDIVIDUALIDADE: O CONTEXTO

Os grupos de suposição básica de Individualidade (baM), é nossa hipótese, estão ficando mais salientes em nossas culturas industrializadas. Aqui, nós estamos sublinhando que nós entendemos baM por ser um fenômeno cultural gerado por medos e ansiedades sociais conscientes e inconscientes. Em particular nós estamos avançando na idéia de que a vida contemporânea, as sociedades turbulentas, ficam mais arriscadas e, assim, o indivíduo é conduzido, cada vez, mais para a sua própria realidade interna de forma a excluir e negar as realidades percebidas como perturbadoras do ambiente exterior. O mundo interno se torna um conforto. É, talvez, neste mundo interno que os clichês podem ajudar sem medo de serem testados. 'A Inglaterra é uma terra verde e agradável!'; 'a casa do homem é o seu castelo!' pode ter crédito porque a realidade variável do ambiente e a experiência de realidade da realidade externa é negada. 

Enquanto houver diferenças em culturas nacionais estará havendo golpes semelhantes. O que todos compartilham é um sentimento de um ambiente persecutório, estressante. Na Inglaterra, América e Austrália houve quedas econômicas que atingiram as classes medianas e mais baixas. O desemprego corroeu a confiança da classe administrativa que acreditava que o trabalho sempre estaria assegurado. Na Inglaterra, o registro de bancarrotas é sem precedentes. Assim, para as pessoas que tentaram montar um negócio pequeno, serem responsáveis pelas suas vidas, o resultado foi que eles perderam seus sustentos e, em muitos casos, suas casas. 

Nos Estados Unidos da América, durante recentes anos, o impacto severo da recessão, estimulou a política do ódio.  As taxas de juros mergulharam, bancos fracassaram e o Seguro Social foi perigosamente ameaçado. Os sem teto aumentaram dramaticamente. Em face a tudo isso, havia uma compra maníaca de ações como uma tentativa individual para afiançar um futuro financeiramente são. 

Na Europa nós podemos considerar o que está acontecendo nos países do Bloco Oriental que agora compartilham aspirações para o modo capitalista de vida. A Rússia está economicamente falida e ameaçada de um colapso político.  Eslovacos estão agora separados no que os jornais chamam de um 'divórcio aveludado' da Checoslováquia.  Dentro da Eslováquia há 600,000 húngaros que querem afirmar seus direitos. Na Transilvânia, provavelmente haverá rivalidade entre romenos e húngaros. 

A política balcânica que preocupou os estadistas e políticos antes da Segunda Guerra Mundial, está novamente preocupando.  Um cenário de possível conflito pode envolver a Albânia, Bulgária, Grécia e Turquia em uma guerra como efeito dos conflitos bósnios em Kosova, que é uma província sérvia governada por uma maioria albanesa.  Uma guerra pode começar na Macedônia onde há rivalidades múltiplas; ou em Sandzak que é sérvia mas habitada por muçulmanos; ou na Croácia. 

O fenômeno social principal que está aparecendo nestes países, é nossa hipótese, é um processo de 'tribalização' que está levando as pessoas a reafirmar a sua identidade nacional primária. O processo é complexo porque não há nenhuma coincidência entre identidade nacional e território nacional. Na Estônia, Latvia e Lituânia, há grandes populações de russos de esquerda, dos dias do império soviético. Em países como a Polônia e República Checa há alemães abandonados como resultado de processos históricos e tratados de paz esquecidos. Os judeus estão
começando, uma vez mais, a sofrer perseguição porque eles são acusados de minar qualquer país em que sejam residentes. Isto é assim particularmente na Hungria onde um político está usando o mesmo idioma e metáforas que o Nazismo usou. 

Como as estruturas políticas monolíticas esmigalharam-se em todos estes países nós vemos indivíduos que são pressionados para formas de individualidade (Me-ness), que estão ficando frenéticos, como na Iugoslávia.  O ponto que nós desejamos focar é que, determinados tipos de turbulência experimentados nas sociedades industrializadas fazem com que o indivíduo perca a fé e a confiança em qualquer estrutura, se bom ou ruim, isso é maior que o indivíduo. Em resumo, como o ambiente se torna mais perseguidor, a resposta é os indivíduos se retirarem para o
mundo interno do ego. Outro modo de expressar isto é dizer que nós estamos testemunhando a esquizóide socialmente induzida. Isto não que dizer que os indivíduos sejam esquizóides em si, mas que estão sendo levados a se comportar assim por causa das condições sociais e políticas. 

Ao mesmo tempo queremos nos agarrar no que pode ser positivo e podemos considerar baM como um fenômeno cultural temporário, saliente neste momento da história. Podemos ver o futuro como assegurando muitos desafios para a natureza das sociedades industriais avançadas nas quais vivemos. Estes desafios são econômicos, políticos, sociais, ecológicos e espirituais. Eles surgem de mudanças cumulativas em nossos ambientes que interagem sistemicamente. Estamos testemunhando a criação de grandes mercados econômicos unificados, o aumento da competitividade internacional, a mudança de ideologias políticas, sociais e culturais, afiliações e crenças religiosas inconstantes e a contínua revolução tecnológica. Como indicamos, há uma remolduração de relações entre Leste e Oeste e Norte e Sul. Por conseguinte nós, do Oeste, não podemos dispor nenhuma ambição, ou fantasia de colonização, i.e., mobilizar baD, mas temos que tentar achar modos de criar relações de interdependência e colaboração, i.e., evitar todas as configurações de baM. 

Podem ser interpretadas as repercussões destas mudanças como o começo do fim das sociedades industriais avançadas como elas foram conhecidas no passado e o começo de sociedades que terão que ser descobertas. A turbulência do eco-ambiente no qual pessoas conduzem seus negócios, paradoxalmente presentes na oportunidade para iniciar transformações que usam o melhor que foi aprendido da história e o melhor do pensamento sobre futuros desejados. 

Para ser mais benigno, postulamos que a experiência da cultura de baM possa ser um caminho através do qual alcancemos os tipos de sociedades que sejam associadas com uma cultura de W. Da mesma maneira que a Revolução francesa mobilizou baF/F para alcançar a república e a democracia, da mesma maneira que Cromwell quebrou a suposição baD britânica no direito divino dos reis, assim pode que baM seja uma experiência cultural transitória. 

SUPOSIÇÃO BÁSICA DA INDIVIDUALIDADE ("ME-NESS")

Nossa hipótese de funcionamento é que a baM acontece quando as pessoas locam espaço e tempo em uma tarefa primária, i.e., se encontrem para fazer algo em um grupo de trabalho na suposição tácita, inconsciente que o grupo é um não-grupo. As pessoas só estão presentes ali porque compartilhar a construção de um grupo é indiferente.  Então, elas agem como se o grupo não existisse, porque, se existisse, seria a fonte de experiências persecutórias. A idéia de 'grupo' está contaminada, proibida, impura, em suma, representa tudo aquilo que é negativo. As pessoas se comportam como se o grupo não tivesse nenhuma realidade e não pode ter realidade, porque a única realidade a ser considerada é a do indivíduo. É uma cultura de egoísmo na qual os indivíduos parecem somente ter consciência dos próprios limites pessoais, que eles acreditam ter para se proteger de qualquer intromissão de outros. A natureza das transações é instrumental, por isso não há lugar para o afeto, pode ser perigoso, porque as pessoas não saberiam para onde os sentimentos as levariam. 

Uma diferença principal entre esta bam e outros grupos de bam é que no anterior é o grupo que é invisível e desconhecido, considerando que nas culturas posteriores é o indivíduo que é invisível e desconhecido. Nas culturas baD, baF/F, baP, o indivíduo está perdido nelas. Na cultura baM a anulação da ansiedade é porque o indivíduo estará perdido no grupo se este emergir.  Enquanto grupos bam em geral são sistemas inconscientes de defesa contra a ansiedade de experimentar e testar realidades em uma configuração de W, uma cultura baM é um sistema
inconsciente de defesa contra ambas as experiências, de W e outros grupos bam. De certo modo, baM começou a existir porque as outras suposições básicas já existiam. Declarar isto soa como um exagero: pode ser que baM seja resultado do processo histórico de conferências que têm ocorrido agora durante quase quarenta anos. As pessoas assistem estas conferências porque elas querem saber sobre o funcionamento do grupo. Elas também acreditam que experimentar comportamento de bam será obtido em um processo que acreditam não poder controlar. Elas
desejam atingir comportamento de W o mais depressa possível e sem o menor esforço. Há aspirações poderosas para saber mas também razões potentes para não saber. Consequentemente, o aparecimento de baM, que é uma resistência a bam e comportamento de W.  O paradoxo é que enquanto a convicção de que só o indivíduo pode vir a saber qualquer coisa, esta convicção leva os indivíduos a co-criar e co-agir em um grupo de bam. Assim eles entram em um grupo de bam apesar dos seus esforços para evitar esta experiência. 

Em baM é como se cada indivíduo fosse um grupo auto-suficiente que age em seu próprio direito. Uma cultura de baM não pode tolerar as atividades coletivas de um grupo de W porque uma cultura de baM tem preocupações só individualistas. Em uma cultura de baM é mais provável prestar atenção às dificuldades privadas que a assuntos públicos, para usar a clássica distinção de C. Wright Mills, porque eles não têm nenhuma relevância para os indivíduos. 

Nossa elaboração de baM começou a partir da idéia do que Turquet (1974) escreveu no início dos anos setenta, e o que ele tinha para dizer era válido e para alguns membros em particular é ainda um modo de compreensão do processo de transformação que eles podem experimentar, como resultado de experiências de membro de grupo em um grupo grande. 

Turquet, na sua análise da fenomenologia das experiências do indivíduo em mudar seu status social no grupo grande, descreve como o participante de uma conferência entra no grupo grande: como 'alguém'; mais particularmente o 'eu' entra como alguém que deseja fazer relações com outros embora não fazendo parte do grupo. Enquanto nós aceitamos a formulação de Turquet, nós estamos começando a pensar que, hoje em dia, o 'me' é parte do 'eu' que crescentemente está sendo mobilizada. Há, postulamos, uma fase que precede a análise de Turquet da progressão do indivíduo através da vida do grupo, porque o indivíduo não quer ter relações. 

Nossa hipótese de funcionamento, então, é que há um novo fenômeno nestes indivíduos em particular, desenvolvendo uma atividade mental que não lhes permite um status de "eu" e se seguram no que chamamos de status do "mim" porque não querem experimentar ser membros de grupo. 

O pronome 'me' é a forma acusativo e dativa do pronome da primeira pessoa. Isto ajusta o significado que queremos dar a baM porque o 'eu' se torna um objeto em si mesmo, governado pelas preposições 'para' ou 'por'. Além disso se fosse o 'eu' que estivesse sendo mobilizado poderia empatisar com o 'eu' de outros membros do grupo; poderia reconhecer que eles têm sentimentos, percepções, e entendimento; poderia admitir que se um 'nós' fosse possível o grupo poderia existir e poderia realizar sua tarefa primária. 

Usando a idéia de 'individualidade' estamos lembrando quando uma criança se torna uma unidade capaz de distinguir entre o interior e o exterior. Winnicott com sua habitual percepção escreve: "A idéia de uma membrana limitante aparece, e disto segue a idéia de um interior e um exterior. Então se desenvolve o tema de um eu e de um não-eu.  Há agora conteúdos de "mim" que se desenvolvem em parte da experiência instintiva". (Winnicott, 1988, pág. 68) 

Nossa visão é que esta fase de desenvolvimento ecoa quando baM é mobilizado no grupo. 

A evidência para este grupo de suposição básica começou a ficar firmemente aparente, aproximadamente há oito anos atrás. Partimos de duas fontes: do comportamento dos membros e do staff das conferências; e do que observávamos na sociedade. Estabelecemos 'cláusulas de porque' (usando a frase de Pierre Turquet) para unir os estados psíquicos internos dos indivíduos para os tipos de sociedades, instituições e grupos que estão co-criando na Austrália, nos Estados Unidos e no Reino Unido que são os países que conhecemos melhor. 

EVIDÊNCIA DAS CONFERÊNCIAS

É um grupo grande. Na maioria das sessões uma participante senta sempre fora da configuração organizada das cadeiras. Ela parece atenta ao modo de sentar, reta e freqüentemente na extremidade de sua cadeira. Quando perguntada por outros membros do grupo por que ela senta desta forma, ela responde que quer estar separada. A pessoa assume que não está sendo parte de qualquer estrutura. Ela declara que na visão dela os consultores estão impondo esta estrutura. Ela assiste o grupo e todos os outros eventos da conferência mas nunca se torna um
membro. Os dias passam e ela mostra um quadro de uma mulher que não se unirá a nenhuma instituição e quer manter a sua versão de liberdade e de individualidade. Ela dá a impressão de ser o observador que assiste tudo por detrás uma janela de vidro, objetivo, impassível, aparentemente alienado. Solidão e dissociação parecem ser parte de seu modo de vida. É difícil de adivinhar quais as suas experiências porque ela nunca as oferece, mas é observável que ela está processando de algum modo. 

Na mesma conferência diz outra mulher que ela nunca tinha existido realmente como uma criança para os seus pais.  Ela tinha sido uma não-pessoa para eles. Não era uma questão de rejeição; ela nunca tinha sido aceita. Poderia se entender por que havia uma necessidade de se agarrar em uma versão de "me", o modo de ter sobrevivido como uma pessoa. Esta pressão para se segurar em "me", separado de si mesmo, no sentido de que nós estamos tentando dar significado à distinção entre "eu" e "mim", pode ser visto em outros contextos como demonstração de superioridade. 

Em uma sessão de grande grupo um membro disse que ela sonhou com o filme Espelhos Quebrados. Ela falou para os participantes no grupo sobre o que era o filme. A história do filme é sobre uma assassina sádica que captura as mulheres, as amarra e tira fotografias enquanto morrem de fome. Uma das características do filme é que não há nenhuma interação entre o fotógrafo/assassino e a vítima. O quarto no qual o filme acontece é coberto com fotografias de vítimas que morreram de fome. 

Em um certo nível, a história do filme, da relação entre o assassino e a vítima, representava a relação de transferência que era sentida existindo entre os consultores e os membros do grupo. Na fantasia, os membros não experimentaram nenhuma interação entre os consultores e os membros do grupo e assim os consultores estavam ocupados em uma atividade que era fazer um filme da vida mental do grupo como um objeto de estudo. 

Em outro nível, nós sugeriríamos que a relação entre o assassino e a vítima está a favor um paradigma do indivíduo em baM. Por isto nós queremos dizer, que há uma fotografia sádica, parte de si mesmo, que está ocupada fazendo instantâneos de um sofrimento, de uma parte faminta de si mesmo e não há nenhuma interação entre os dois.  Assim os consultores podem ser vistos como sádicos através da vitimização dos membros que estão passando fome de insights. 

Nesta conferência foi notável como os participantes tiveram grande dificuldade de falar sobre seus sentimentos, sobre eles em qualquer papel, o contexto no qual estavam trabalhando e sobre os outros. Os sentimentos pareciam estar sendo mantidos pendentes durante as sessões de trabalho. Isto levou a várias ocasiões em que as diziam coisas como: 'Se eu ficasse bravo eu diria " X ". Em baM as pessoas fazem tudo para se distanciar dos sentimentos, levam uma 'fotografia' e apresentam para o resto do grupo e os consultores como a 'evidência' do que vai dentro delas. Esta é uma conseqüência lógica de baM que pode começar a só ser destrancado quando os membros trazem seus os sentimentos das suas experiências. Isto conduziria a uma exploração das suas relações no grupo e extrairia as suas imagens de grupo da mente. 

A atividade de tomar notas é incomum em conferências. Um membro constantemente fez isto durante todas as sessões. Este mesmo membro teve um sonho que ele informou ao grande grupo. O sonho dele era que o diretor da conferência tinha um furúnculo acima do nariz e quanto mais se apertava o furúnculo mais pús saía. É significativo que o local deste furúnculo é a posição presumida do 'terceiro olho' e, em reflexão, desejamos saber se representou um ataque na própria capacidade de insight dos participantes que era então projetada sobre o consultor que também teve o papel de diretor. As notas, neste caso, e as fotografias no outro, substituíram o insight. Nós podemos especular que o modelo para este comportamento é o do cientista clássico que considera tudo objetivamente e nunca se esforça para contaminar os achados com sentimentos, observações, e qualquer atividade que poderiam inclinar os resultados. 

Outro membro informou um sonho no qual ela estava tendo um bebê que era a criança de um casal de homossexuais. Em uma cultura baM 'igual se une ao igual' (uma frase à qual voltaremos) o único tipo de nascimento que parece possível é um fantasioso nascimento de um casal homossexual. Também não é nenhum verdadeiro par homossexual. Nós faríamos a hipótese de que a real relação é 'eu com mim' e que isto é projetado em um casal homossexual. Em uma sessão já para o final deste grande grupo homens estavam junto com homens, e mulheres com mulheres. A mentalidade heterossexual e uma apropriada interação cujo relacionamento poderia gerar um 'verdadeiro bebê' era intuído como tabu. 

Em um evento institucional que tem a tarefa primária de estudar as relações entre os membros em grupos de sua própria escolha e a administração do evento que era o staff, achamos que a sociedade formou três grupos. Em cada um destes grupos nós achamos que não havia diferenciação interna de papéis para tarefa a não ser que cada um tinha designado um porteiro firme que mantinha todas as visitas para o grupo esperando do lado de fora da porta da sala do grupo. Os grupos eram homogêneos em caráter. Os três grupos pareciam ser 'umbigados' como se a tarefa deles fosse explorar a vida interior do grupo e não explorar relações de inter-grupos. Os três grupos concentrados na vida interior representaram um ação exterior de baM em um nível organizacional. Outro modo no qual baM foi representado foi quando um membro formou o próprio grupo de si mesmo. 

A administração do evento institucional achou que os três grupos tinham se formado conscientemente como cadeias sociometricas. Enquanto este for um modo interessante de formar grupos isto evita a dor da seleção pessoal e rejeição. É aparentemente científico e objetivo. O critério exclusivo satisfaz. Indivíduos perguntam a outros a quem eles gostariam de se unir, e assim por diante. A natureza do grupo assim formado parecia que eles foram 'reunidos através dos gostos'. 

A administração, em uma fase, teve a hipótese que o modelo de aprendizagem que estava agindo era o de coesão por adesão, quem gosta atrai quem gosta. Isto foi visto como sendo consangüíneo ao processo "pseudopodial". Esta metáfora nós pegamos da zoologia. Um pseudopod se refere, por exemplo, a certos protozoários que formam protrusões de qualquer parte do protoplasma e assim desenvolvem processos temporários para locomoção, com a finalidade de pegar e prender, ou para a ingestão de comida. Este processo pseudopodial é físico como, por exemplo, em certos musgos que desenvolvem um "pedicel" ou "footstalk" para se prolongar. Na cultura baM é um modo psicológico de se relacionar. 

Aprender em uma atividade baM também parece ser um processo reservado. O que é aprendido por uma pessoa não pode ser compartilhado. A aprendizagem é só para si mesmo. Se qualquer aprendizagem fosse compartilhada a fantasia parece que é a de ser roubada, será levada para longe e possivelmente será agregada por outro com o que o resultado da singularidade da aprendizagem individual é destruída. Até pior, se a pessoa aceita pensar ou aprender de outro, a pessoa poderia ter que expressar gratidão pela pessoa. Aprendizagem assim tem que ser anônima, preferentemente confortável e com o mínimo possível de perturbação psicológica. Isto significa que as diferenças têm que ser evitadas porque poderiam conduzir ao conflito. Parece melhor estar em um estado incógnito justamente para não precisar se ocupar com nenhuma relação cooperativa ou conflitiva. 

Isto ilustra um problema quando as atividades baM são predominantes em um grupo. Não pode haver um acoplamento com outros para criar algo novo que simplesmente não seja uma extensão de algo possuído por si mesmo. Por isto é que sugerimos que o modelo de aprendizagem em uma tal cultura é pseudopodial porque aprender não é nenhuma reação verdadeira de fora para dentro, mas um temporário e oportunístico 'agregar' algo que está supostamente em si mesmo. 

BaM representa um ataque na possibilidade de aprendizagem relativo aos outros. Há dificuldade em aceitá-la pois todas as interpretações são experimentadas como persecutórias devido ao fracasso do consultor em reconhecer as maravilhosas individualidades dos membros. Isto porque os participantes se comportam como se o grupo não fosse pertinente e nunca pudesse ser usado para vantagem mútua. Em uma cultura baM pode ser considerado como um ataque inconsciente, qualquer idéia ou pessoa que poderia gerar confiança e poderia ser um recurso para aprender.  Isto é por causa do medo da suposição básica de dependência. Um grupo baM se torna um mundo de auto-suficientes, autodidatas que selecionam o que eles querem saber de quem eles escolhem. 

O grupo, claro, perde a vitalidade, tem como que um ar de futilidade, porque assumir um papel com a finalidade do trabalho do grupo é visto como privando os outros e, claro, que a si mesmo. Consequentemente, o desenvolvimento de uma 'percepção criativa' (Winnicott, 1971, pág. 65) do indivíduo, do grupo e do empreendimento é impedida porque a preocupação é com o 'me' em seu estado egoísta. O 'me' está sofrendo fome e deprimido, pode estar certo, mas a suposição inconsciente é que será alimentado só por seus próprios esforços auto-confiantes. 

Quando baM é a suposição básica dominante não pode haver nenhuma exploração de autoridade. Notamos (em nossos vários papéis como diretores de conferências e como consultores para eventos), uma resistência crescente dentro dos membros dos grupos, para diferenciar papéis, e assim a autoridade para trabalhar a tarefa primária.  Noções de que podem ser exercidas diferentes autoridades dentro de um grupo e que isto pode ajudar na tarefa, é freqüentemente entendido como uma retórica de igualitarismo pseudo-democrático que pode ser vista como uma manifestação coletiva de baM. 

A resistência para testar limites e os limites da autoridade em uma cultura baM leva a forma de retirada e agressão passiva.  Fala-se dos pensamentos de alguém fora dos eventos declarados, durante intervalos para o café e refeições. Dentro dos eventos os consultores podem ser induzidos na ilusão que a sociedade simplesmente está presente porque os corpos estão fisicamente presentes. Seria mais verdade dizer que há um 'ausência' mental dentro do grupo e que os membros têm um papel de espectador, i.e., de fotógrafo. Quando os membros de um grupo
estão unidos, inconscientemente, em baM, eles estão agindo para privar os consultores de material para trabalhar.  Não há nenhuma sensação de uma mutualidade interdependente, ou relação simbiótica. Os consultores podem ser apanhados no sentimento de que eles têm que preencher o vazio com hipóteses, cada vez mais trabalhando sobre a fuga, que só servem para unir mais o grupo em baM e agressão passiva. O grupo faz o consultor sentir fome enquanto o consultor tenta alimentar um grupo que não quer ser alimentado ( Espelhos Quebrados). A relação parasitária que Bion identificou (Bion, 1970, pág. 95). A pessoa sente que está em um pseudo-grupo. 

Por conseguinte, em uma cultura baM, os membros podem acreditar que estão comunicando quando de fato eles não estão. Um membro relatou a um consultor, depois que o pequeno grupo tinha terminado, que ele tinha se sentido 'totalmente emocionado' durante o grupo e que isto deveria ter sido óbvio ao consultor. Ele ficou surpreso pois dentro do grupo foi o oposto. Isto o levou a pensar que em baM há uma convicção inconsciente que se algo está entrando em 'me' os outros saberão o que está acontecendo sem que isto tenha que ser comunicado. 

Não surpreendentemente quando baM é dominante há pouca capacidade de gratidão. Não há nenhuma verdadeira interação e assim não pode haver nenhum 'baby' para simbolizar o aprendizado, o qual se sentido como tendo sido ganho foi através de um processo semelhante a uma filtragem. Em uma cultura de individualidade não há nenhuma aprendizagem de história, autoridade proveniente de figuras ou modelos do passado, da própria experiência da pessoa ou dos outros. A dor psíquica é minimizada; a pessoa cita outros mas esquece da fonte; o aprendizado é instantâneo. Metaforicamente isto passa, como foi dito sobre alguns tipos de ensino, do caderno de um para outro sem ou passar pelas suas mentes. 

Quando discutimos a viabilidade de baM com Lawrence, Jonah Rosenfeld descreveu suas experiências em uma conferência alemã na qual ele tinha participado como consultor. Ele disse que nunca tinha ouvido tantos exemplos de crueldade recontados pelos membros. Uma mulher contou que quando era criança a comida consistia em ovos fervidos. Cada um era servido em uma xícara. Quando ela abriu o seu ela achou um embrião de galinha e o comeu.  Um homem contou que quando tinha quatro anos de idade esteve no litoral com seus pais. Enquanto eles se
sentaram na praia ele se arriscou na água, caiu num buraco e estava se afogando quando um homem veio e o salvou. O homem o depositou na praia. O resgatador não falou para seus pais, nem o menino. Ele nunca tinha falado sobre o incidente até estar em um grupo com Rosenfeld. 

A observação de Rosenfeld era sobre a crueldade dos seus pais às crianças que às vezes eram generosos, mas freqüentemente não. Especulamos por que ele interpretou assim. Pensamos que era porque ele era um judeu e um cidadão israelita, e que os membros alemães estavam descrevendo suas experiências de crueldade a alguém cujo grupo religioso e cultural tinha sofrido por causa do regime Nazista. Mas, mais Rosenfeld refletia sobre evidência mais ele sentia que a evidência estava determinando o como as experiências pessoais os estava preocupando com a sobrevivência individual e a necessidade para garantir a individualidade. O 'eu' poderia ser violado abominavelmente mas não o 'me', o núcleo essencial da identidade do ego. 

Uma hipótese de funcionamento adicional para a incidência de baM é que esta propensão para a individualidade está baseada em uma divisão; a divisão clássica entre a imagem da mãe boa e da mãe ruim. A mãe ruim está na sociedade, ou bastante projetada nisto, e é localizada na maldade da sociedade, ou quaisquer de suas instituições como trabalho, o governo, o mercado econômico. Podem ser culpados objetos externos, então, pela infelicidade do indivíduo. Sadismo entra nisto por causa desta construção de um fracassado ambiente. Uma sucessão provável, lógica de pensamento é: 'Você me deve; você fracassou; você pagará por isto. Por tal pensamento a desumanidade e egoísmo são justificados. 

Qualquer figuração social como o grupo ou sociedade representa o objeto danificado e danificador. O grupo é interpretado como um objeto antagônico porque é percebido como fóbico. Por conseguinte, o 'me' que se sente impotente e vulnerável, com reais ansiedades de superação, assume uma posição de contra-dependência em relação ao grupo que é sucedida por uma negação de sua existência; só o 'me' é real. Isto parece ser da essência de baM. 

Parte da experiência de estar em baM é de estar presente em um quarto com outras pessoas que nunca têm que formar um grupo porque isto, através da definição inconsciente é um não-grupo; nunca usar uma linguagem que possa fazer uso do 'nós'. É estar em uma postura científica de observar um objeto. O objeto sempre está potencialmente ameaçando e danificando. Nunca pode haver esperança. Está desapontando e sempre frustrando.  Em uma tal situação não há nenhum espaço para preocupação com o humor! Tudo o que a pessoa pode fazer em tal situação é sobreviver detendo a bondade e o sujo, a realidade fora. Não há lugar para emoções porque a preocupação dos participantes é que os sentimentos não sejam experimentados e que eles não sejam expressados.  Consequentemente, a vida em uma cultura baM é ordenada, calma, cortês e hermafrodita. 

Quando baM é saliente e ativando a vida do grupo, o consultor, para o grupo, está ali para sentir que ele ou ela têm que trabalhar dando duro e mais duro formulando hipóteses, e que cada interpretação tem que ser melhor que a última. Os membros parecem ter se retirado em apatia e o consultor sente pressão para salvar, ou resgatar o grupo de sua vida árida, fútil. O consultor é convidado a sentir, 'Se eu pudesse fazer a interpretação certa para destrancar o ferrolho'. O consultor pode continuar trabalhando hipóteses que para ele parecem suficientemente boas; de fato elas podem ser pertinentes, mas não têm nenhum efeito. Em realidade as interpretações podem ser sobre fuga que é o comportamento mostrado porque a fuga é da realidade do grupo como um grupo. Tais interpretações podem muito possivelmente ter um efeito negativo inverso em que o grupo crescentemente solidifica em retirada e individualidade.  Como consultor, sente que não está fazendo contato com qualquer membro do grupo; está isolado, alienado. O consultor não está a favor de qualquer um dos membros em uma cultura baM ou sente como sendo uma ameaça à sobrevivência individual, i.e., a preservação da individualidade. (Sobrevivência nós podemos entender como sendo a
meta de baM). Esta experiência de consultor é uma reflexão do fato de que os membros não são psiquicamente, politicamente ou espiritualmente apresentados um ao outro. 

Temos notado em recentes anos os perigos de uma cultura baM em conferências. Quando não estávamos seguros sobre nosso pensamento podíamos descrever nossas experiências em termos de dissociação, ou de alienação, ou de fenômeno esquizóide. Agora estamos mais certos. Vemos que há uma tendência para alguns consultores e diretores agir de um tal modo que eles ocupam o espaço e se tornam um objeto central de preocupação e admiração que precisa constantemente ser nutrido através do staff e por membros da conferência. Este, simplesmente, é o desejo de alguém do staff que quer ser o artista, a estrela; mas podemos sugerir agora que eles estejam agindo em
um modo baM. 

Bain usou o termo 'invasor espacial' para se referir ao tipo de situação pedagógica onde o professor invade o espaço da criança, em lugar de permitir a criança aprender e trabalhar por ela mesma o que ele ou ela podem fazer (Bain, Long e Ross, 1992). Este conceito também se aplica ao uso impróprio do diretor ou consultor 'individualidade' em relação à tarefa primária dos eventos da conferência. 

Quando esta relação mental de baM existe entre grupo e consultor as chances são que as interpretações peremptivas ( Lawrence, 1985a) vem à frente. Estas são interpretações que cortam a exploração adicional da realidade porque elas são apresentadas como uma declaração definitiva, uma taxa final ou resumo, um fato psicológico indubitável; e às vezes falado de modo punitivo. Por conseguinte, não há nenhum espaço, porque é invadido agora, para o que pode ser chamado interpretação de mudança, i.e., o oferecimento de hipóteses de que eles podem mudar e que iniciará transformações na cultura do grupo. Outro modo de pôr isto é dizer que as interpretações peremptivas são disfarçadas em 'ataques à união'. O que também significa que não há nenhum potencial para devaneio de grupo, que é crítico para os participantes se eles são capazes, por si mesmos, de se fazerem disponíveis para pensar e desenvolver o pensamento. 

Bain relata que durante um encontro de follow-up, em uma Conferência em Perth, Austrália, um membro disse a ele, 'é maravilhoso você pode estar aqui!' Enquanto Bain pensava que poderia haver um desejo deste ex-membro para ser dependente dele, poderia haver mais que uma necessidade de lisonjear as maravilhas do diretor: 'Individualidade é a plumagem que ele usa tão bem'. 

Neville Symington em um ensaio sobre Sandor Ferenczi, diz que repetidamente Ferenczi enfatizava a necessidade do analista estar livre de narcisismo. Se no contexto de grupos o consultor é fisgado na sua 'individualidade' ele alimenta em e nele a cultura de baM. O grupo não pode ser relatado de um modo adaptável. 'Todos nós sabemos que em uma relação de amor tem que haver um processo ininterrupto de adaptação, porque sem isto pode haver só amor-próprio ou narcisismo' (Symington, 1986, pág. 195). 

Participantes podem ser 'dirigidos para uma suposição de individualidade', como Jon Stokes da Clínica de Tavistock sugeriu durante uma discussão das evidências a favor e contra baM. Esta frase reveladora não só captura nossas experiências de grupos mas também crescentemente nossa experiência de viver em sociedades contemporâneas quando nós consultamos organizações industriais, educacionais e religiosas. O que a frase de Stokes significa é que as culturas que nós co-criamos em nossa contemporânea e industrializada sociedade que são as causas das pessoas se comportarem como tal, em troca, criam a cultura que reforça o comportamento delas. Nos termos de Bion, a cultura do grupo é tal que a valência dos indivíduos que é uma 'função espontânea e inconsciente da qualidade gregária na personalidade' (Bion, 1961, pág. que 170) é mobilizada por baM. 

EVIDÊNCIAS DAS SOCIEDADES

Começa a ser evidente que nós estamos vivendo em sociedades que crescentemente recompensam o comportamento 'individualidade'. Os 'yuppies' dos anos Thatcher são um exemplo. Bain nota esta recompensa do comportamento 'individualidade' em relação à carreira dos funcionários públicos na Austrália. Para muitos, no serviço público, houve uma perda do senso de tarefa e uma perda conseqüente do propósito organizacional e estrutura, que conduzem à cobiça destrutiva e à inveja. As perdas experimentadas corroeram a idéia de 'eu' como um sistema
relativo a outros; tudo gira em torno de como estas mudanças afetaram 'a mim'. Isto nutre uma cultura de baM.  Há, então, limitadas bases psíquicas, políticas ou espirituais para desenvolver preocupação social. Então, a preocupação principal dos funcionários civis transforma isto no avanço de suas carreiras pessoais, e menos atenção é prestada às políticas públicas que eles poderiam amoldar e para as quais eles poderiam sentir responsabilidade e autoridade. 

Quanto mais o indivíduo é dirigido para a 'individualidade' mais os indivíduos se tornam egoístas e este é o único modo que eles podem sobreviver no mundo social. Notamos outras instâncias de comportamento de sobrevivência em nossas sociedades. Por exemplo, há um aumento de tirania e isso acontece nas empresas que Andréa Adams e Neil Crawford descrevem no livro deles Tiranizando no Trabalho (1992). A vítima é dirigida ao desespero, impotência, sentimentos assassinos, e tem fantasias de matar o tirânico que pode ser diretor, gerente sênior, um chefe de departamento. O tirânico terá tido uma infância de relações com abuso por parte das figuras de autoridade.  A sua história será caracterizada por depressão, raiva e violência. Ele ou ela recria estas experiências quando em posição de poder porque a tirania é a única imagem de autoridade que pode extrair do seu mundo interno. A auto-definição de tirânico, de 'individualidade' é tal que ele ou ela pode não ter nenhuma concepção de ser para outras pessoas, que são objetos a serem manipulados. 

Durante algum tempo, Lawrence tem se referido, meio jocosamente, à 'Síndrome de Sadismo pós-Tacher' (PTSS) na Inglaterra. Isto surge do governo de Thatcher e sua preocupação com a eficiência e valorização do dinheiro.  Enquanto esta preocupação é suportável, o que não é suportável é o modo pelo qual são implementadas as políticas que resultam. Por exemplo, há uma reorganização em um hospital. As pessoas são convidadas a falar sobre os trabalhos que elas executaram durante vários anos sem reclamação da administração sênior, dos colegas, e
pacientes. Eles são entrevistados e são rejeitados. Um aspecto disto é que um número de pessoas (gerentes e consultores) determina os critérios que selecionam e rejeitam os outros no sistema. Mais precisamente, como nós entendemos o assunto, usam-se doutrinas de Garantia de Qualidade e a importância do Paciente para implementar políticas com, o como é experimentado como um julgamento maligno. 

Nós vemos outra versão desta 'individualidade' também no inumano e oportunista comportamento de alguns gerentes empresariais.  O mais recente caso na Inglaterra é a campanha dos 'truques sujos' da British Airways em relação à Virgin Airways.  British Airways, pensando somente nela mesma, desejou ter sucesso e pensou na forma como poderia ser obtida a supremacia. Aqui nós podemos especular que havia uma oscilação entre briga de bam e baM.  Uma característica distintiva de baM é que o inimigo se torna um objeto que tem que ser aniquilado, não só conquistado, por qualquer meio. Há, nós pensamos, presença de elementos de psicopatia em baM que é muito mais forte que em fuga; uma ausência total de consciência. Ética e moralidade somente são palavras. Se British Airways tivesse tido êxito, a pessoa que assumisse a administração teria celebrado sem pensar no naufrágio de um competidor que poderia prover um serviço melhor para o consumidor. 

A primeira noção de baM veio da experiência de trabalho com religiosos ( freiras e padres) em uma série de projetos de pesquisa-ação, 20 anos depois do Concílio Vaticano II. Durante estes projetos, Lawrence teve os primeiros vislumbres do fenômeno que agora chamamos baM. O fator chave em todo este projeto de pesquisa-ação era que a maioria das estruturas conhecidas da vida religiosa tinha sido removida por causa de Concílio Vaticano II. Na ocasião, Lawrence ficou preocupado com a crise existencial em que os religiosos se encontravam e escreveram que eles
estavam experimentando um mundo social que tinha sido ordenado, regulado e tinha um propósito. Enquanto esta perda era uma realização para alguns, porque trouxe mais liberdade expressada na teologia da libertação, para muitos estava causando sentimentos de pesar e lamentação. Podemos argumentar contra a qualidade da vida religiosa antes do Vaticano II e dar evidências para mostrar que teve muitas desvantagens em termos do desenvolvimento humano do religioso porque a ênfase era em baD. Isso é secundário para nosso ponto principal que é que, qualquer que seja sua qualidade, as estruturas de então da vida religiosa proveram um recipiente no qual a incerteza poderia ser projetada e a certeza introjetada. Com a erosão destas estruturas os indivíduos foram convidados a voltar-se para si mesmos, dentro dos seus próprios limites pessoais, como a única âncora segura em um mundo de incerteza (Lawrence, 1985). Como compreensão tardia isto pode ser interpretado que os religiosos foram lançados em baM como um modo de sobrevivência. 

Com o passar do tempo pode-se ver que esta experiência de baM se tornou para alguns uma suposição necessária, temporária, básica porque permitiu para muitas freiras e padres redefinir a vida religiosa como, por exemplo, a 'opção para o pobre'. Isto os habilitou a redefinir seus apostolados e mudou seus estilos de vida adequadamente. Assim eles puderam se reafirmar nas novas versões da vida religiosa que é orientada agora mais para a revelação através de processos de interpretar a Palavra à luz das circunstâncias variáveis no ambiente. Há, então, um uso sofisticado de baM que pode conduzir a uma redefinição do Trabalho e atividades novas para avançar neste trabalho. 

ALGUNS USOS SOFISTICADOS DA SUPOSIÇÃO BÁSICA 'INDIVIDUALIDADE' NO TRABALHO

Como todas as outras suposições básicas, a baM pode ter seus usos temporários. Por exemplo, da mesma maneira que bam podem ser um estado transitivo que conduz a experiências transcendentes assim também baM tem valor por explorar realidades. Há uma necessidade em todos de se retirar profundamente em nós mesmos, examinar nossos próprios mundos internos para que nós possamos contratar novamente com o ambiente externo. Às vezes isto é chamado de regressão a serviço do ego. Há uma necessidade de, periodicamente, avaliarmos a natureza de nossos próprios sentimentos para separar o que nós sentimos e está sendo introjetado e o que nós podemos estar projetando.  Embora tenhamos dificuldades em os identificar, com certeza nós tentamos isolar o que pode ser nossos sentimentos de contratransferência para descobrir que os sentimentos de transferência podem estar em qualquer contexto humano do qual participamos. 

Há este trabalho para achar dentro de nós mesmos o que poderia ser chamado 'o momento', que é a capacidade de chegar a uma claridade de auto percepção que não pode ser evitada porque é muito próxima de como a verdade pode ser. É claro que se nós estamos lutando com mentiras isto não será negado. BaM pode ser o espaço mental temporário que nós precisamos ter para mental e espiritualmente rever a forma com que exploramos as realidades externas sem memória, e sem o desejo que sejam diferentes do que são. 

Há uma sensação de que baM pode ser vista como uma dependência em si mesma e os próprios recursos de alguém para ter uma base de confiança para participar em e com as realidades do ambiente. Pode ser uma retirada necessária para o ego poder tornar-se, por si mesmo, disponível para pensamentos e pensar e poder estar atento à realidade externa. BaM pode se tornar uma atividade introspectiva que, por exemplo, é difícil de alcançar em uma cultura de baF/F. 

Bion faz referência à idéia de Freud que uma especialização particular de trabalhos com grupos fazem uso das atividades de suposições básicas particulares. Bion diz que a Igreja ou o Exército tem que se agarrar na mentalidade de suposição básica e atividade de grupo de trabalho ao mesmo tempo. Da mesma maneira que uma Igreja é propensa a interferência de baD e atividade de bam, assim o Exército com o fenômeno de baF/F. Bion sugere que estes grupos de bam nascem fora do grupo de Trabalho principal, do qual eles formam uma parte.  O propósito do
grupo de Trabalho é 'a tradução dos pensamentos e sentimentos no comportamento que é adaptado à realidade' (Bion, 1961, pág. 157). Aqui nós estamos confundindo a relação entre atividade de baM e atividade de grupo de Trabalho, reconhecendo que 'a mentalidade de suposição básica não se transforma em ação' (Ibid., pág. 157).  Tentativamente, nós estamos sugerindo que atividade de baM é parte da experiência necessária que um indivíduo tem que ter como um ego com um limite para empenhar-se em termos de Trabalho com tudo que é a realidade do
Outro; seja aquelas outras pessoas, o grupo ou o ambiente. Nós podemos ver isto operando em qualquer grupo. Um exemplo está em um convento religioso onde bam e atividades de baM têm que ser brotadas fora em grupos especializados; caso contrário o exagero de W de um convento religioso provocaria a destruição . Nós vemos baM operando em uma consultoria a um empreendimento empresarial que está tendo que reorganizar seus recursos para seu futuro em um ambiente de mercado incerto. Atividade de BaM, novamente, tem que ser brotada fora, em subgrupos de forma que os recursos humanos do empreendimento possam redescobrir em quais condições foram usadas. O W da consultoria é empenhar-se com realidades variáveis. 

RECONHECIMENTOS

Várias pessoas contribuíram. Em particular, W. G. L. reconhece o apoio ininterrupto e a ajuda de David Armstrong, Brendan Duddy, Leslie Freedman, Peter Goold, Kenneth Eisold, Colin James, Joan Hutten, Bipin Patel, Jonah Rosenfeld, Mannie Sher, Burkard Sievers e Judit Szekacs. Para Anton Obholzer da Clínica Tavistock, W. G. L. agradece a chance de experimentar idéias em seu curso de instituições sociais. A. B. agradece a Suzanne Ross, Allan Shafer e Helen Costello como também aos membros da AISA que participou de uma Reunião Científica em
baM. Nós agradecemos as oportunidades que nós tivemos durante os anos para trabalhar com os participantes de conferência.

 
EXIT  / SALIDA

ii 2016
ix 2013

vi 1999