Instituto Mexicano de Relaciones Grupales y Organizacionales
Mexican Institute of Group and Organizational Relations

BALES

G. Amado e A. Guittet, A Dinâmica da Comunicação nos Grupos, Zahar Editores

Após várias pesquisas e observações realizadas em grupos diferentes em situações variadas, Bales propõe-se estudar o grupo tentando situar as intervenções de cada um dos participantes com relação a grandes direções. 

Assim uma intervenção pode situar-se em vários níveis: 

- ela expõe um fato, uma informação: "a mesa é quadrada"; 

- formula uma opinião, uma avaliação: "essa mesa é pequena demais"; 

- exprime uma direção, uma sugestão: "se mudássemos de mesa poderíamos trabalhar mais confortavelmente"; 

- reflete um sentimento, uma tensão: "já que vocês não querem mudar de mesa, vou trabalhar ao lado." 

Todas essas intervenções podem ser classificadas com relação a seis tipos de problemas constantemente presentes em todos os grupos: problemas de informação, avaliação, controle, decisão, tensão e integração. 

Conforme a natureza dos grupos, essas diferentes fases de resolução dos problemas são mais ou menos importantes: por exemplo, num grupo de trabalho, as fases de informações e trocas de opinião serão muito longas, enquanto num grupo de amigos à procura de um filme para passar a noite as fases de controle são mais importantes.  A área da tarefa (troca em nível sócio-operatório) e a área sócio-afetiva (troca em nível de sentimentos) estão em relação direta com a natureza das trocas no grupo. 

É preciso compreender as intervenções de cada participante a partir desse modelo para estabelecer perfis de interações.  Estes últimos mostram efetivamente que as intervenções de cada um diferem entre si qualitativa e quantitativamente.  A maneira de intervir dos participantes (emissores ou receptores) esclarece pois a natureza das interações dentro do grupo.  Bales formula a esse respeito as seguintes observações: 

os sujeitos que emitem mais são também os que mais recebem; as emissões dirigem-se assim para os membros mais ativos e depois para o grupo em geral; 

quanto mais aumentar o tamanho do grupo, mais as diferenciações serão feitas no sentido de uma centralização (aparecimento de uma figura central). O estilo de intervenção dessa figura central pode variar de um modo sensível. Se suas intervenções procederem da avaliação e do controle (categorias 4 e 5 no modelo de Bales), os outros membros do grupo participarão relativamente pouco: o papel definido aqui é o de um "líder de estilo diretivo". Se as intervenções da figura central englobarem as categorias: informação, explicação, compreensão (6 e 3), o estilo do líder é então "não-diretivo" e os outros membros do grupo participarão e se envolverão mais. 

Essas categorias de Bales constituem um bom instrumento de observação e sensibilização aos tipos de interação vividos pelos membros do grupo. 

A partir das observações recolhidas, Bales formulou a hipótese segundo a qual os processos de interação reproduzem sempre as mesmas fases, pois as trocas entre os indivíduos passam sempre por sequências idênticas: fase de informações, fase de avaliação, fase de influência e finalmente fase de decisão. 

Esses mesmos processos desenvolvem-se através de uma série de tensões e resoluções de conflitos que permitem a passagem de uma fase a outra. Mas, desde a fase de informação, podemos distinguir nas interações a participação de processos de influência: quem vai falar? quem será escutado? quais serão as informações escolhidas. 

CATEGORIAS DE BALES 

   1.  Mostra solidariedade, estima. Ajuda, gratifica os outros.
   2.  Alivia as tensões, cria um ambiente de calma, ri, mostra satisfação.
   3.  Mostra-se de acordo, aceita facilmente, compreende, aceita inteiramente a opinião do outro.
   4.  Dá sugestões, idéias, embora respeitando as idéias dos outros.
   5.  Dá opiniões, avalia, julga, exprime desejos e sentimentos.
   6.  Dá orientação, informa, esclarece, formula, repete, confirma.
   7.  Pede orientação, informações, procura informações, manda repetir.
   8.  Pede opiniões, espera que os outros dêem suas avaliações, analisa-as.
   9.  Pede idéias e sugestões, diretivas e direções, vias possíveis de ação.
  10. Mostra desacordo, rejeita, põe em dúvida.
  11. Mostra tensão, aumenta a tensão, coloca-se fora do grupo.
  12. Mostra antagonismo, rebaixa a posição dos outros, defende-se, ataca, afirma-se contra. 

Intervenções, atitudes e papéis com relação ao grupo - 1 à 3 e 10 à 12 

Intervenções, atitudes e papéis com relação à tarefa - 4 à 9 

Problemas de orientação - negativo: 7 , positivo: 6 

Problemas de avaliação - negativo: 8, positivo: 5 

Problemas de controle - negativo: 9, positivo: 4 

Problemas de decisão - negativo: 10, positivo: 3 

Problemas de tensão e de estado emocional - negativo: 11, positivo: 2 

Problemas de integração - negativo: 12, positivo: 1
 

EXIT  / SALIDA


ii 2016
xi 2013

vi 1999